
Há uma música do Rod Stewart chamada "Have I Told You Lately" que tem uma parte que diz:
(...) "Fill my heart with gladness, take away all my sadness
Ease my troubles, that's what you do
For the morning sun and all its glory
Meets the day with hope and comfort too
You fill my life with laughter, somehow you make it better
Ease my troubles, that's what you do" (...)
E estranho que é... encontrei uma pessoa assim. Não é familiar nem namorado. Também não sei se será amigo... e também não é apenas um conhecido.
É alguém que entrou na minha vida e marcou a diferença. Pela positiva.
Alguém que me ouve, mais longe que perto. Que não está presente, mas está sempre presente e actualizado sobre a minha vida. Alguém que não me sai do pensamento, que não abandona os meus dias, as minhas noites... as minhas horas.
Alguém que me reconforta de longe, mas quando está presente de bem perto. Que me vê dormir... que me vê sorrir. Que nunca me viu, mas já me sentiu a chorar. Alguém que ouve o grito que vem de dentro de mim quando algo me entristece, me magoa ou me acontece. Que o prevê, sente, deixa sair, ouve em toda a sua furia, que o deixa ir... e depois o acalma, tranformando o forte rugir num miar e pouco depois apenas num ronronar de um satisfeito gatinho. Esse alguém que sinto com tal intensidade que chego a ficar baralhada, confusa, assustada... deliciada.
Esse alguém que me dá atenção e que conquista o seu espaço em cada cantinho do meu dia-a-dia sem sequer se aperceber... nem eu!
Não é amor, não é paixão, não pode ser ainda amizade. Os amigos conhecem-se, antecipam as nossas palavras. Não sei mesmo como descrevê-lo. É alguém bom que Deus, as energias, os anjos, seja o que for...colocou no meu caminho.
Os seus conselhos são sábios, ouve como ninguém e sabe acalmar-me como ninguém. Tem uma paciência do tamanho do mundo para me aturar. Não, não será amornem terá qualquer interesse em mim. Não sei nem consigo explicar, nem me interessa fazê-lo tão pouco. Acabei por gostar desta irracionalidade e da magia que dá às coisas.
Imaginem um frasco cheio de pedras... ele é a areia que corre por entre elas, que se entranha devagar e preenche todo o espaço vazio, trazendo mais coesão ao frasco, mais resistência, beleza e que lhe dá um sentido.
É um cavalheiro que percorre as ruas da minha vida e em poucos momentos a enche de luz. Minimiza o não grave, sabe brincar, agradar... encaixar!
Mas acima de tudo... acima de tudo... mima! Mima muito! Apaixonei-me pelos seus mimos e pelas suas carícias, tornei-me inconscientemente uma dependente da sua atenção, da sua constante presença, mesmo ausente. Sinto-me a sua "menina", que ele mima e molda à sua maneira. A quem ele sorri e ralha. A quem dá o doce, o mimo, o brinquedo. O castigo... Ele que toca, que brinca e sempre sorri como quem diz "calma, vai tudo correr bem, estou aqui". É tudo o que quero, tudo o que preciso... Que fala comigo em silêncio porque tal como eu acredita que as palavras nem sempre são necessárias. Que vai descobrindo do que gosto, como sou... Que vai descobrindo pos tantos defeitos que nem me dou ao trabalho de esconder...
Apesar de neste momento parecer totalmente esquizofrénica, o que descrevo é a mais pura realidade, algo que nunca pensei sequer vivenciar. Que sensação estranha esta do ser mas não ser, é a antagonia em todo o seu esplendor.
É um gostar genuíno, arriscaria que mesmo verdadeiro, mas entre alguém que não se conhece. Um amigo que reúne quase todas as características que se poderia desejar num homem, num companheiro. Mas ainda assim, não o é... provavelmente nunca o será. Superior a isso, talvez. Presente, ausente... cá. A questão é: é possível! Mas tive de viver para acreditar...
Tive a sorte de cair nas mãos de uma das pessoas mais decentes, correctas e queridas que conheci até hoje. Será ele o seu guardião, o meu guardião.
Não és namorado, talvez nem amigo ainda... mas sabes como me fazer feliz melhor que ninguém :)
Obrigada por teres aparecido... miss U.
