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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Maravilhosa nostalgia


O estado de espírito pode ser melhor ou pior, alegre ou nostálgico...
Hoje estou nostálgica... nostálgica do meu spot favorito aqui na foto, nostálgica de tempos que vão longe mas sempre tão presentes... talvez por estar a passar férias no mesmo local onde as passo nos últimos 25 anos e que não troco por nada neste mundo. Mesmo quando viajo pelo estrangeiro, este local vai sempre comigo no coração. Aqui passei toda a minha infância rodeada de amigos, participando nas mais doidas traquinices. Aqui dei o meu primeiro beijo, aqui me fartei de jogar ao que a minha geração tanto jogou o "bate pé", lol. Aqui apanhei as minhas primeiras bebedeiras, mesmo as mais graves :P
Aqui ri e chorei, aqui me diverti e me apaixonei! Foram os melhores momentos da mina adolescência. De verão ou inverno e mesmo nas meias estações, a caminho deste local o meu coração enchia-se de alegria! Cá estavam sempre os mesmos rostos, as mesmas brincadeiras e vivências e recordações que me acompanharão para o resto da vida. Se é possível amar um local, posso dizer à boca cheia e de sorriso estampado na cara que amo este lugar como nenhum outro.
A presença constante da palavra "amigos" ecoa na minha memória a cada minuto. Nada me dá mais tranquilidade que esta praia e este mar, nada me traz mais alegria do que por aqui aprendi e vivi.
Foram km de bicicleta e a pé, namoricos sem conta, noitadas de farra irrepetíveis e inesquecíveis. Local de nostalgia incomparável, de emoções já engarrafadas e guardadas num cantinho dos nossos corações.
Chegámos a ser um grupo de quase 40 pessoas. Juntos para todo o lado: praia, piscina, noitadas.
As brincadeiras à porta de casa enquanto os pais nos deixavam de férias com os avós durante os meses de verão, foram sendo substituídas por noites no bar da praxe, era sempre o mesmo e a nossa 2ª casa. Dominávamos a zona e fomos passando para as noites na discoteca, também ela da praxe, nossa companheira de borga anos a fio.
Depois a malta foi crescendo, foi-se afastando. Aparecem os namorados e namoradas que nos afastam para "outras paragens". Vamos desaparecendo cada vez mais, até que voltamos a reencontrar-nos. Hoje somos todos "crescidos" muitos de nós casados e alguns até já com filhotes. As cumplicidades de outrora foram substituídos por tímidos "olá bom dia pessoa X, está tudo bem?"
As nossas gargalhadas, paixonetas, férias animadas, ficaram algures no tempo e lá ficarão guardadas como pequenas jóias brilhantes da nossa vida.
Já todos temos uma carreira, já quase nem nos vemos. Apareceram novos amigos, o dinheiro para poder viajar e conhecer novos lugares... e o tempo aqui foi encurtando que a vida profissional não dá para mais.
Mas é giro, vamo-nos encontrando agora mais perto de casa, muitas vezes durante um almoço numa zona empresarial daquelas onde vai tudo comer ao mesmo sítio. Prometemos reencontra-nos e o tempo volta a passar desenfreado até que nos reencontramos acidentalmente outra vez.
Alguns partilharam a universidade, outros têm os mesmos cursos. Tudo distante, muito "polites" uns com os outros, esquecendo mesmo os "arrufos" de outrora.
Agora tudo isso é motivo para sorrir e deliciosamente nos fazer lembrar como foi bom ter uma infância e uma adolescência na sua companhia :)
Nessa época ninguém tinha computador, e o sortudo que recebesse de presente um "Spectrum 48K ou 128K" partilhava-o com todos os outros, sempre satisfeitos.
Éramos uns para os outros, vivíamos uns dos outros, dependentes do papel de cada um. Éramos e seremos sempre felizes por ter recordações e memórias tão giras.
Aqui aprendemos a viver, a socializar, a conquistar e a partilhar.
Éramos amigos, irmãos. Crescemos em conjunto para mais tarde cada um seguir o seu rumo, a vida assim o quis.
Este lugar que carrega tantas boas memórias.
Uma coisa gira: quando um ficava doente, todos se reuniam para o ir visitar. Mas íamos à vez em pequenos grupos para que o doente nunca se sentisse sozinho. É bonito ter feito parte disto... fui visitar e fui visitada. Deixavam-me pilhas de livros de banda desenhada para ler enquanto iam à piscina porque eu não podia... :)
Quanto não vale? Que se vê disto nas crianças de agora?
Sou sem dúvida uma pessoa feliz. Dou graças pelos amigos que tive e pelos que agora tenho. De outros lugares, diferentes deste, mas ainda assim tão importantes e com tantos momentos bons para recordar também.
Decididamente, tenho de confessar em público que sou dependente...
Dependente dos meus amigos, desta derivação do amor que quando genuína nos completa de forma tão confortante.
Feliz de quem tem amigos, feliz de quem teve uma infância, de quem pôde ser criança.
Nós éramos felizes, bastávamo-nos uns aos outros. Aqui ou fora daqui, éramos compinchas :) E em cada aniversário lá estávamos nós: no norte, sul ou qualquer outro ponto cardeal deste país.
Amo este lugar e tudo o que me trouxe. Tudo o que ano após ano continua a trazer-me.
Se há lugar que se possa amar... sem dúvida. É aqui...