Ao teu lado, sinto-me liberta, parece que tudo é mágico. Tudo corre com uma simplicidade brutal que se envolve em palavras cuja melodia inaudível transborda a alegria e a simplicidade de estarmos juntos.

Celebra-se o riso e a boa disposição na companhia de uma garrafa de vinho que se deixa iluminar pela média luz embalada pelo som do mar...
Rir é a palavra de ordem, falar... matar saudades.
Sinto a presença de sentimentos invisíveis e que teimam em manter-se fechados numa caixinha que temos algures lá por dentro. A luta é quase tão violenta como a arte de escolher as palavras para não se deixar escapar nada que nos coloque a descoberto.
Entre um sorriso e outro, os olhos matam saudades mutuamente. Há o toque, o bater da caixa... O riso sem motivo. A vontade de tudo e de nada, de me deixar ficar, de correr, de gritar!
Como pano de fundo, a praia ri-se para nós como se estivesse ali de propósito só para nos observar. O sol bate-nos na cara como que para nos acordar e o vento toca-nos ao de leve, como a chamar pelos nossos nomes.
Dou por mim uma vez mais e como sempre a falar pelos cotovelos, o sorriso teima em não me deixar a cara e vou aproveitando os óculos de sol para disfarçar o brilho dos meus olhos.
Uma estranha sensação de nostalgia mistura-se com o entusiasmo e a vontade de estar ali... não há outro lugar onde queira estar naquele momento...
Os imprevistos tornam-se amigos que se deleitam numa azáfama de bem estar.
Deixar-me levar naquele cenário...
Fazes-me rir...
Fazes-me sentir bem... fazes-me sentir tua.
Enquanto te ris de mim e de características "tão minhas" como dizes, discute-se etiqueta entre o vai e vem do empregado que serve um copo atrás do outro... o corpo vai-se deixando mergulhar e a mente já meio turva do álcool nem se esforça por se libertar. Antes se ri de si própria e tal como uma criança com um brinquedo se deixa absorver pelo momento que nem pensa em acabar. .

Apetece-me tocar-te... mas ainda assim não cedo ao desejo. Antes desfruto do momento como se não fosse nunca acabar... na demanda do teu abraço, tão único... onde me perco por segundos, minutos até que me parecem dias... e meses ali estava se pudesse, entregue naqueles braços que nada de mal me deixam acontecer... tão mágico, tão único, tão exclusivo e tão próprio... o teu abraço, só teu... onde me sinto novamente menina, onde solto as amarras e me deixo levar sem destino enquanto ali estiveres...
Tens o dom de me deixar suspensa no ar... no tempo. A história repete-se a cada vez e o início que corresponde tão brevemente ao fim torna-se repetitivo.
Num dia que se deseja infindável as palavras sucedem-se. O toque é uma constante, tão necessário no desejo do silêncio e do ofegar daquilo que tem de se esconder.
É um jogo cruel, estranho e difícil. É saboroso, desejado e presente. A dúvida, a inconstância, o desconhecido. O conhecido, o previsível, a parede de um respeito inexplicável, de uma admiração sem fim.
fazes-me rir... na ausência das tuas palavras, nas tuas provocações.
Cede-se ao segundo infinito àquilo que no fundo sempre foi desejado. Foi um esforço deitado à rua, uma corrida sem vencedores, uma fortuna sem destinatário.
É sempre o mais forte que prevalece... não há nada a fazer... nunca vamos conseguir ser superiores a isso.
