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segunda-feira, 1 de março de 2010

Carta à avó...


Passam-se os meses mas o pensamento continua cravado em ti como se ainda cá estivesses... que saudades que tenho tuas avó. Lembro-me de ti vezes sem conta. Não imaginas a falta que sinto de te ir tapar, já depois de velhinha, como tu me fazias quando eu era mais novinha e me deitava mais cedo que tu. Fazias sempre questão lá ir puxar os lençóis para cima para te certificares que não tinha frio, e dares-me sempre mais um beijo, mesmo depois de eu já me ter despedido de ti...
Tenho saudades tuas e fazes-me falta, nem imaginas quanta.
A mãe não está muito bem de saúde... e já sabes o resto não é? Estou aterrorizada... Só de pensar nos dias sem a ver...
Ai vó... isto não tá fácil... sabes que não sei porquê mas de repente senti imensa responsabilidade em tomar conta da mãe... parece que o que ela fazia contigo, sinto eu obrigação de fazer com ela...
muita coisa ao mesmo tempo... parece que vou rebentar...
Saída de emprego, excesso de preocupações, excesso de decisões... saúde da mãe... novo emprego... que não me conquistou propriamente... ausência...
Por outro lado, nada de relacionamentos, nenhuma segurança, nenhum "pilar" para me sustentar e dar força... nada. Nada! Não está fácil não... mas como sempre... eu aguento! Venham eles! Quando rebentar vou de vez! Às vezes ponho-me a pensar se se perdia alguma coisa... desconfio que não. Pena magoar quem cá fica. Mas para esses a vida continua... certo?
Beijo grande!