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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Amigos? ... já ouvi falar nisso...


Há momentos em que apesar de sabermos que todo um universo existe à nossa volta, que o mundo gira com quaquilhões de acontecimentos em simultâneo, nos sentimos tão sós como se fossemos o único ser existente em todas as galáxias...
Ás vezes olhamos à volta... habituados a ter tanta gente por perto, família, amigos, companheiros para quem é o caso, colegas de trabalho, de estudos de outrora... e no entanto... gritamos num eco profundo de solidão, porque todos eles se desvanecem no nada...
Quando a memória nos traz lembranças que nos fazem sorrir, a alegria acaba por afastar os pensamentos menos bons, mas ainda assim pergunto... quando precisamos, onde estão eles? Cada um perdido na própria vida, com situações que mais lhe convêm, que lhes são mais agradáveis, úteis ou oportunas em certa altura, nessa altura em que para nós tudo se desvanece... e pergunto... no meio de tanta gente, onde estão todos???
Estaremos condenados a ser "mais um" na vida dos outros? E se assim for, porque não conseguimos que cada uma dessas pessoas seja só e apenas "mais um" na nossa vida? Estaremos condenados a sofrer o resto da vida por causa disso?
Onde está o sorriso dos meus amigos quando preciso dele? Será que alguma vez falhei com o meu quando foi necessário? Será do signo ou o prato da balança está mesmo desequilibrado? E se for o caso... será que nem dão por isso? Será que é tão banal para esses amigos que nem dão por isso? E que amigos, que tipo de amizade é essa?
Qua amigos são esses que tratam a amizade como um toalhete descartável, dos que temos sempre na mala ou na bancada da casa de banho? Será que não passamos disso mesmo uns para os outros? Meros toalhetes descartáveis que estão sempre à mão para qualquer eventualidade? É este o mundo de que faço parte?
Não quero. Não consigo fazer isso com os outros, mas sabe Deus a quantidade de vezes que me sinto qual toalhete... sempre ali à mão para o que der e vier... e se assim é, será que alguma vez secarei para ser jogada fora? É o mais certo...
Numa determinada altura da minha vida deixei de reciclar amizades, achei que estava quase completa... talvez não. Talvez estivesse errada.
Mas em vez de julgar quem me guarda na mala ou na bancada do wc, antes me revolto comigo própria porque concluo que quem está errada e desencaixada neste mundo actual sou só eu...
Eu considero-me daquele tempo em que os amigos se respeitavam, se conheciam... em que os amigos davam o ombro para chorar... e para rir :)
Que limpavam as lágrimas uns dos outros quando caem rosto abaixo... que por falar ao telefone sentem que algo se passa... e estão lá. Mas lá diz o velho ditado... mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Ou ainda: A tradição já não é o que era. Pois é pena. Há conceitos que não deveriam mudar. Os amigos ainda deveriam saber guardar um segredo. Ainda deveriam saber onde acaba a sua liberdade e começa a dos outros... deveriam saber dar um carinho, uma palavra... Deviam acima de tudo saber que ser amigo é assumir uma responsabilidade.
Mas isso é cada vez mais raro. Tanta gente para aturar, ao monte. Mas quando se trata de nos ouvirem a nós... parece que vivemos no deserto. Vivemos num mundo de egoístas.
Mas tão mau quanto isso é publicar isto num blogue, que é lido por conhecidos e estranhos. Mas sabem? O que digo é universal! É uma linguagem entendida, percebida, sentida e praticada em todo o mundo!
E mais incrível ainda... pessoas que ficarão espantadas, que pensarão "ai, eu não sou assim"... Não? Não mesmo? Olhem à vossa volta, façam uma introspecção e uma análise ás pessoas que vos estão próximas. Lembrem-se ultimamente quantas vezes lhes perguntaram se estava tudo bem, mas sentido. Quantas vezes tentaram descortinar o olhar das pessoas. Quantas vezes se preocuparam em saber...
Desenganem-se das palavras... diz mais o silêncio que as palavras em muitos dos casos.
E desengane-se quem pensa que no meu caso específico amigos é algo que tenho falta. Metam para trás das costas "é uma solitária". Não... tenho a sorte de ter uma família única, espetacular e um rol de amigos invejável... a maior parte das vezes. Muitas das vezes também passeio no deserto, porque lá está... eles vêm e vão consoante a vida de cada um, o que é bom para cada qual e o que lhes é conveniente.
Não sou nem nunca serei a única a sofrer por isto. Mas porque eu pertenço a uma minoria e sozinha não luto contra a corrente, um dia tenho fé que também serei assim. Ou talvez não. O que me faz ser feliz é gostar de mim como sou, mas acima de tudo, respeitar a pessoa que vejo ao espelho todos os dias.
Nunca me poderão acusar que não estive, não fiz, não tentei... prioridade máxima: consciência tranquila. É isso que me dá o meu sorriso, aquele de que preciso todos os dias para ser quem sou.
E já que estou em maré: Obrigada a quem me passou estes valores. São difíceis, mas sem sombra de dúvida, muito mais genuínos. Prefiro ser para o bem e para o mal, diferente... 1 em mil.
Prefiro ser como já me disseram: "Marcante".
Pelo menos sei qual foi o meu papel na vida de cada um, e não... não fui apenas mais um...