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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Há dias assim... são lágrimas de cristal



Não é fácil ser uma Prozac...
Sei que este é um blogue que faz uma ode à boa disposição e ás coisas boas... E peço desculpa se me vi obrigada a interromper esta "corrente positiva", mas pôxa sou humana... e isto de fingir que está sempre tudo bem chega a um ponto que se torna muito difícil de suportar... é um peso demasiado pesado...
Pela 1ª vez tomei consciência que escrever aqui me faz bem, independentemente de ser ou não lido e hoje precisei de vocês. Precisei do meu blogue como nunca.
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa bem disposta que tende sempre a ver a parte boa das coisas. Sempre com um sorriso estampado na cara e a 1ª a puxar para cima tudo e todos. Companheira de rambóia mas sempre presente quando há que estar, sempre atenta, preocupada com o bem estar de quem me rodeia. Mas sempre, sempre com um sorriso e uma palavra amiga para dizer. Sou sincera e verdadeira mesmo que isso às vezes custe a ouvir. Carinhosa e mimosa, cuido dos meus amigos e familiares de uma forma que acho única, e é sempre a minha forma, boa ou má, não me compete a mim avaliar.
Considero-me uma sortuda: tenho uma família maravilhosa, um montão de amigos espetaculares, pessoas que se preocupam comigo e com o meu bem estar e um sem nº de conhecidos. Tenho um bom emprego, uma boa casa com conforto e tudo o que eu gosto, uma cadela linda da qual já tenho um montão de saudades e que deveria estar aqui deitada a ressonar ao pé de mim, não fosse viver num apartamento e ter pena de deixar a bichinha aqui fechada todo o dia.
Apesar de tudo isto... hoje tive a chamada "tarde de cão".
Comecei por me sentir mal durante o meu treino no ginásio e por pouco não caí para o lado desmaiada. Valeu-me a minha querida Paulinha, a PT mais fixe do mundo estar perto de mim, senão acho que me tinha apagado. Parecia que sufocava, a tensão ficou colada uma à outra e o coração parecia que rebentava... Nem conseguia respirar em condições, parecia que tinha uma bola na garganta... Nunca tal me tinha acontecido.
Claro que o treino ficou por ali e eu fiquei frustradíssima porque detesto falhar, sou super exigente comigo mesma e já ia pronta para recomeçar quando ela me mandou tomar duche, literalmente.
Nem vos sei explicar o que senti, mas foi de certeza da pilha de nervos em que ando, que nem acupunctura, nem saídas com amigos, nem 3 calmantes por dia estão a ajudar que chegue...
Depois desta cena, parece que me passava a vida em catadupa pela cabeça para tentar descobrir "o culpado" deste estado. E eis que cheguei à conclusão que 2009, apesar de ter sido o ano da minha vida em que entrei da melhor maneira, não me está a correr muito bem...
Dei por mim a passar caras a 1000 à hora, pensando de todas as pessoas que conhecia quem me podia dar um xi-coração naquele momento, precisava tanto... E sabem a que conclusão cheguei? Ninguém. Porque apesar de ter tanta gente à volta, acho que ninguém iria compreender-me mesmo. Enquanto tomei o meu duche, sentia as lágrimas misturarem-se com a água do chuveiro. Enxuguei-me e despachei-me para sair. Fui interceptada por uma amiga que trabalha lá no ginásio que me veio perguntar o que se tinha passado, estava preocupada comigo. Aí recebi o meu xi-coração e as lágrimas voltaram a escorrer-me cara abaixo. Uma breve conversa que depressa tentei terminar, queria fugir dali...
Percorri os 40 km que separam a minha casa do ginásio a beber as lágrimas e só percebi que estava em casa quando parei à porta... pelo caminho, tentei lembrar-me novamente de alguém que me pudesse ajudar... mas ninguém pode. Sei que bastava ligar a qualquer um dos que considero amigos e eles viriam onde fosse necessário. Mas não tive coragem. Subi e vim tentar lamber as minhas feridas, tentar chegar a alguma conclusão do meu estado...
E acho que cheguei...
Aventuras tresloucadas para ofertas de trabalho absurdas!
Familiares doentes, uma avó velhinha e com problemas de saúde graves que se vai abaixo a cada dia que passa (foi ela quem praticamente me criou. Era daquelas crianças com uns pais do tamanho do mundo, que para que nada nos faltasse, saiam de casa cedo e entravam tarde. Eram os meus avós que me iam buscar e levar á escola, me traziam a casa a almoçar, me levavam à ginástica e à catequese, era a minha avó que me tirava a mochila das costas e me dava um beijo quando eu chegava da primária, foram eles que tomaram conta de mim e me viram crescer tão de perto, por isso dói. Porque eu tive avós à séria, daqueles que passam os verões conosco em crianças e nos fazem as vontades :)).
Aliado a tudo isto, pus-me a fazer contas à vida... 2009 entrou em grande e da melhor maneira possível, e apesar de ter apenas 30 anos, duvido que volte a ter uma passagem de ano tão feliz. Na altura pensei: "olha, este ano entrou tão bem que o ano vai ser o melhor de sempre!" Pois não podia estar mais enganada.
Desde que o ano começou que a minha saúde anda extremamente frágil.
Para ajudar, crises de alergia horrorosas obrigaram-me a tomar doses industriais de cortisona o que resultou em mais 9 kg acima do meu peso normal... :(
Psicologicamente isto é um mimo...
Mas depois vem a parte pior...
Acabei por concluir que em termos sentimentais dificilmente podia ser pior...
Com 30 anos de idade, fui casada 8 e divorciei-me há 2... já sou um pouco "vivida" no que toca ao coração já levei os meus encontrões, já me levantei e caí algumas vezes... Começo a ter alguma sabedoria do meu lado.
Depois do divórcio, encontrei uma pessoa em quem investi 2 anos da minha vida, lutando contra tudo e contra todos com todas as forças que tinha e com as que arranjava para conseguir uma relação estável com a pessoa que mais amei na minha vida até hoje. Sofri muito nas mãos dele até que antes do fim do ano fiz uma promessa a mim mesma: se ele não se decidisse, eu ia decidir por ele. E assim fiz. A caminho de Salamanca, antes de passar a fronteira, fiz a minha última chamada...a indecisão continuava.
Deitei a minha lágrima discretamente pois estava acompanhada e disse para mim mesma: Chega! Mereces melhor que este bandalho! Em 2009 as coisas vão mudar!
Não sei se acreditam em Deus, eu tenho uma forma muito própria de acreditar. E na noite da passagem de ano, Deus mandou-me um anjo.
Acreditem ou não, num sorriso, aquele rapaz conseguiu varrer o meu sofrimento para um lugar em que deixou de me atingir. Já me tinha adiantado no alcool, é uma verdade, porque afinal a noite era de festa... mas garanto-vos que foi paixão à 1ª vista! Tenho 30 anos, nunca pensei que isso fosse possível de me acontecer nesta idade... mas ainda bem que aconteceu. Amei aquele rapaz em cada segundo e só me arrependo do que não fiz porque não "fica bem", não é "socialmente bem visto". Pois adiantou-me de muito... se soubesse o que sei hoje tinha estado com ele sim, toda a noite e dia até um de nós ter de ir embora... Que burra fui... e tanto que me arrependo... e tanto que choro por isso ainda hoje...


De volta a Portugal, pus os pontos nos is e cortei radicalmente com a pessoa que há 2 anos tanto me fazia sofrer, mas em quem já não pensava desde que começou 2009...
Larguei tudo e entreguei-me à felicidade de adorar a pessoa que tinha conhecido e que era tudo o que eu queria para mim... Nunca acreditei em príncipes encantados, mas ele era. Adorei-o a cada segundo quer ele percebesse quer não, o meu coração era dele... como ele se calhar nunca imaginou, como ele nunca acreditou. Incrivelmente e depois de estar tão desiludida com a vida por causa do outro aparece alguém de quem gosto tanto, não pensei ser possível. Mas foi. E foi... porque o meu doce morreu pouco mais de um mês depois...
Passei dias desesperada, acho que nem conseguia acreditar... por motivos profissionais não consegui estar presente no funeral, vindo mais tarde a descobrir que ainda bem que não fui. Esta se me permitem prefiro não explicar, mas quem me conhece pessoalmente percebeu o que quis dizer.
Foi uma dor seca e profunda. Este ano não fui brincar ao carnaval, que adoro. Passei várias semanas sem sair, o que em mim não é normal. Sentia a falta dele, mas estranhamente sentia a sua presença, parece que de vez em quando ainda sinto, como agora. Foi embora sem explicar, sem se despedir... deixando-me mergulhada num mar de dúvidas e incertezas, da tristeza do não saber e não compreender... Depois disto tudo, de toda esta angústia, ainda tive conhecimento de algumas coisas desagradáveis que também não vou contar, pelo menos até serem devidamente esclarecidas. Mas tenho um feeling que não vou partilhar, quero apenas confirmar dentro de algum tempo devo poder fazê-lo.
Resumindo: vejo as minhas lágrimas como pequenas gotas em forma de cristal... cada uma delas tem o valor e beleza dos momentos que envolvem estas pessoas. Cada uma delas encerra consigo a alegria e a tristeza das situações, das relações e das pessoas. Há lágrimas brilhantes como as do meu anjo, há lágrimas brilhantes como as dos meus amigos e familiares. E há lágrimas brilhantes que transportam muita tristeza: a tristeza do despedir de quem nos é querido, seja de repente ou a pouco e pouco, lentamente assistir à vida a esvair-se do corpo de uma pessoa.

Depois disto tudo, chego à conclusão que muito forte sou eu.
Com 30 anos e quase tudo o que queria da vida, falta-me aki um pormenor... um pormenor que morreu e me deixou sozinha.
Falta-me outro pormenor, a coragem de continuar a enfrentar cada dia com o meu sorriso tão característico estampado na cara que como alguém em tempos me disse:
"Andas sempre com um sorriso estampado na cara... mas de estupido nao tem nada... é lindo!!! Cativante, maravilhoso, iluminado, sincero e fofinho. Adoro!"

E com esta me despeço por hoje, pedindo uma vez mais desculpas pelo inesperado e gigantesco post, mas vejam isto como um ombro, amigo e invisível.
Vejam isto como uma forma de tentar manter a minha sanidade mental. Obrigada por "estarem aí" estando ou não.

E sabem? quando era pequena uma vez vi um filme do qual só recordo 2 ou 3 cenas, mas uma delas era de um homem que tinha uma sala fechada cheio de inúmeros frasquinhos de cristal com um líquido. Esse líquido eram lágimas e cada frasco correspondia a uma pessoa. Quando a pessoa chorava o homem recolhia as suas lágrimas para o fraco correspondente. Quando o frasco estivesse cheio, significava que a pessoa não choraria mais...
Também as minhas e as vossas lágrimas têm um frasquinho... de cristal.


Hoje e aqui não fui uma prozac girl... fui apenas eu.
Amanhã é outro dia... e o meu frasco não tarda a encher... por isso, acho que agora é hora de almofada e de relembrar coisas boas até adormecer. E que bom seria adormecer com um abraço, ou fazer o tempo andar para trás...